Novo exame detecta células cancerígenas no sangue

04.07.2012

 

Pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts afirmam ter criado um método de identificar com precisão no sangue a presença de células consideradas raras, inclusive de um tipo que teria papel-chave na metástase de tumores.

Nos últimos 15 anos, foram desenvolvidos diversos exames para detectar essas células, mas eles são caros e complicados. O novo método simplificaria o processo e poderia ser usado até em clínicas.

A pesquisa foi divulgada na revista especializada Science Translational Medicine.

Os métodos atuais de detecção de células raras - como as tronco, as endoteliais, do sistema imunológico, e as chamadas tumorais circulantes (CTC) - não é simples, afinal, estima-se que exista uma dessas para cada bilhão de células sanguíneas, ou 1 ml do sangue. O processo atual envolve purificação da amostra, o que leva à perda delas e dos seus biomarcadores.

Os pesquisadores de Harvard conseguiram fazer essa detecção de maneira mais eficiente, simples e barata. Eles usam nanopartículas magnéticas para "etiquetar" essas células e identificá-las ao passar uma amostra de sangue por um sensor de efeito Hall (que registra mudanças em um campo magnético) em miniatura, literalmente um chip. Essas partículas se prendem a biomarcadores específicos que existem na superfície da célula. Em 20 pacientes com tumor no ovário, eles conseguiram identificar três desses marcadores relacionados com o câncer.

Chamado de micro detector Hall (mHD) ele consegue descobrir rápida e quantitativamente as CTCs e sem a necessidade de purificação. A pequena máquina utiliza um chip e elimina a necessidade de equipamentos caros, como centrífugas, o que facilita o uso em clínicas.

"A plataforma do mHD é muito versátil. Os marcadores de interesse são facilmente intercambiáveis. Isso nos permite personalizar um painel de marcadores para cada (tipo de) câncer", disse o professor de Harvard Cesar Castro, um dos autores do artigo e criadores do equipamento.

Segundo os pesquisadores, o novo equipamento pode ser utilizado para diagnosticar e prognosticar a doença, além de monitorar a progressão do câncer.

O artigo afirma que outra vantagem do método do mHD é que, ao usar um sensor de efeito Hall ao invés de magnetorresistência, ele permite a fabricação de equipamentos muito mais simples e baratos. Os pesquisadores) explicam que os detectores Hall são amplamente utilizados pela indústria e aparecem em equipamentos tão diferentes como odômetros de carros e aparelhos de GPS. "Um cálculo (de custo) aproximado seria de aproximadamente US$ 10 por chip descartável", diz Castro.

 

  As CTCs e o câncer 

 

O aparelho pode ajudar a responder uma pergunta corrente na medicina nos últimos anos: as CTCs aumentam a chance de metástase e de retorno do tumor ou não tem relação com isso?

Contudo, segundo os cientistas, a grande esperança na pesquisa sobre os CTCs é que eles possam ser usados como simples e acessíveis biomarcadores, o que nenhum exame atual do tipo - como o CellSearch, por exemplo - consegue fazer. Mas o mHD poderia mudar esse quadro e isso ajudaria os médicos a monitorar e decidir qual é o melhor tratamento para cada paciente que sofre da doença e seria uma grande vantagem sobre exames de imagem e as dolorosas biópsias, já que leva a um resultado em um período de tempo muito mais curto.

Para a oncologia, o equipamento poderá ser usado tanto para o tratamento como para a pesquisa.

Os editores da revista dizem que o equipamento permite finalmente encontrar a agulha no palheiro e comemoram a criação. "O mHD parece ser o contador de células mais sensível que existe, com potencial para mudar o manejo de pacientes e o monitoramento da doença em clínicas. As agulhas ainda estão lá, mas nós temos agora uma rápida maneira de apartá-las do palheiro", afirmam em nota.

 

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